Prevenção das Toxicodependências nas Escolas
Uma cábula para professores
Atendendo à multiplicidade de "causas" existentes, torna-se evidente que a prevenção da toxicodependência não é específica de uma faceta particular da vida: no fundo, tal como alguém já afirmou, a prevenção da toxicodependência é a prevenção da infelicidade e das imperfeições sociais e humanas.
Embora sendo algo tão global, poderemos destrinçar algumas orientações estratégicas de qualquer intervenção nesta área:
* Deve informar e promover a reflexão sobre o assunto, sem dramatismos, tendo em conta sobretudo os pais, professores e os jovens.
* Para os pais e professores, o mais importante será a informação e reflexão sobre as relações educativas (relembrar sempre a necessidade de manter a disponibilidade, negociação e, sobretudo a disciplina e o encorajamento).
* Para os jovens, o mais importante parece ser o treino sobre como lidar com as situações que incluem maior risco de início de consumos, melhorando a assertividade e outras competências sociais.
* Devem ser criadas actividades diferentes que promovam capacidades diferentes entre jovens diferentes, nomeadamente promover o associativismo plural, as actividades extracurriculares na escola e os currículos realmente alternativos. É fundamental dar oportunidades aos jovens de sentirem que servem para alguma coisa, i.e., são virtuosos em matérias que não pertencem necessariamente à norma, concretamente, exibir as capacidade de marceneiro é importante para quem não tem as capacidades de doutor, e vice-versa. Ser um bom desportista é importante para quem tem dificuldade em ser bom noutras "artes". Ser "bom e gratificado" por qualquer habilidade específica, mesmo que esteja bem longe dos objectivos curriculares da escola, é importante para levar o aluno a comprometer-se minimamente com a escola e, assim, criar um futuro adulto minimamente comprometido com a sociedade. O jovem que parte cadeiras e estilhaça vidros na escola, certamente não a sente como sua, e necessita de ser envolvido numa actividade específica, dentro da escola, que o gratifique. Se a escola encontrar esta actividade específica, poderá não estar a conseguir fazer deste aluno um "doutor", mas está certamente a evitar que ele se converta num marginal.
Por António Pina (in site http://www.janela-aberta-familia.org/)
